O DESERTO RADIOATIVO GUARDA SEUS SEGREDOS.

À distância, os ecos assombrados de um mundo que já existiu dominavam o deserto desolado e radioativo. Sob o brilho abafado de um céu noturno, obscurecido pelas nuvens persistentes da poeira radioativa, um viajante enigmático movia-se com passos medidos, deixando marcas profundas nas areias cobertas de cinzas.

Cada detalhe dele parecia sussurrar contos de outras dimensões: um sobretudo desgastado pelo tempo que tinha visto inúmeros mundos, um chapéu fedora negro como a noite inclinado de forma a sugerir um toque de mistério, e óculos escuros usados à noite, escondendo olhos que já tinham testemunhado realidades além da compreensão. E é claro, a máscara de gás, justa contra seu rosto, com seus filtros trabalhando incessantemente para purificar o ar nocivo.

Ele não era um homem comum. Era um explorador, mas não de lugares ou tempos. Ele viajava entre os véus finos das realidades, visitando mundos que outros não podiam imaginar. Esta extensão radioativa, ele agora presenciava o testemunho silencioso da arrogância da humanidade, entendendo que essa era mais uma página em seu vasto diário cósmico.

No entanto, como muitas vezes acontece nos mundos da ficção cientícia e do horror cósmico, o deserto não estava silencioso. Das profundezas de suas dunas radioativas ratos grotescos emergiam aqui e ali, mostrando como seu próprio DNA fora torcido e mutado. Seus rostos, agora ostentavam focinhos com presas e olhos vermelhos e predadores que brilhavam malevolamente sob a luz doentia da lua. Eles observavam o viajante, enquanto suas caudas se contorciam com curiosidade mórbida.

Havia um peso no ar, um pavor iminente que nem mesmo o explorador curioso conseguia sacudir. Essa dimensão era meramente um reflexo sombrio de outro mundo, um cenário arrepiante de uma pergunta assustadora. “E se ?” era a a pergunta que ecoava. Um verdadeiro presságio sombrio, um aviso para todas as dimensões que ele já havia explorado.

A cada passo, as areias sussurrantes pareciam questionar seu propósito, sua audácia em se aventurar em um reino tão aterrador. E ainda assim, ele seguia em frente, movido não pela loucura, mas por uma fome insaciável de entender as inúmeras facetas da existência e da imaginação humana.

Com a aproximação do amanhecer, o mundo ao seu redor parecia mudar, as sombras crescendo mais escuras, os ratos mais inquietos. Aquela não era uma noite comum no deserto; era uma dança no precipício do horror cósmico, com o explorador em seu centro.

À medida que o sol começava a surgir no horizonte, lançando um brilho alaranjado sobre o deserto, o viajante sentiu uma vibração vindo de seu bolso. De lá, ele retirou um pequeno dispositivo, cuja tela piscava com uma mensagem: “Necessário Retorno Iminente”.

Sabendo que tinha pouco tempo. O explorador atravessou aquela região do deserto com uma determinação renovada, os ratos mutantes, mesmo com seus dois metros de comprimento ainda hesitavam em se aproximar, quase como sentissem a urgência daquele estranho.

Após algumas dunas ele parou, observou a região ao redor e abriu o portal. As bordas ondulavam com energia, mostrando breves vislumbres de outras dimensões, algumas cintilavam cidades futurísticas, outras florestas densas, planetas estranhos e oceanos sem fim.

Quando ele se preparava para entrar, algo o agarrou por trás. Virando-se, o Explorador se deparou com uma figura humanoide, que claramente não era humana. A criatura tinha pele escamosa, olhos negros e sem íris, e vestia um manto escuro.

“”Siz bu erga tegishli emassiz”, sussurrou a criatura.

Antes que o viajante pudesse responder, a criatura pressionou algo em sua mão, e o mundo à sua volta pareceu girar. O Explorador sentiu como se seu corpo e consciência fossem separados e puxados para trás, afastando-se do portal.

Quando seu corpo e visão estabilizaram, ele estava em outro lugar, uma cidade em ruínas, mas claramente diferente do deserto radioativo.

Ele agora ouvia um sussurro suave atrás dele. Virando-se lentamente, viu várias daquelas criaturas, todas observando-o com olhos curiosos. E no fundo caverna, algo gigantesco e inominável parece se mover e respirar.

O Explorador percebe que sua jornada para outra dimensão aind vai demorar. Ele digita uma mensagem no seu dispositivo e ergue as mãos em sinal de paz, ele se dirige aos estranhos seres, sabendo que a partir de agora, ele iria se tornar parte integrante da história deste estranho mundo.

2 Comentários

  • JUNKY

    otimo conto, adoraria vê as continuações e todo o universo que pode ser explorado atraves do ponto de vista desse personagem tão interessante que carrega tantos elementos Noir.

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